confissões

Para aqueles que acreditam em uma força externa, meu atual encontro com as transcrições das conferências do Foucault, sobre a formação do EU, poderia soar como uma revelação, vestígio de uma força maior. Mas encaro como recorte da realidade. Foco.

Uma questão de para onde apontamos nossa mira. O alvo é audiovisual.

Como não optei pelos caminhos mais percorridos, estou abrindo uma trilha.

Não acho que abrir uma trilha seja sempre o melhor percurso, mas no caso do vídeo acredito que sim. Tal julgamento também não é apenas subjetivo, tenho histórias para justificar, desde um “cineasta” que me disse: – Maior roubada se inscrever nesse edital! e depois lá estava ele inscrito. Até ver de perto a produção de um filme, com orçamento de 1.5 milhão de reais (dinheiro de todos nós), e não se conformar com uma obra tão pífia (?) – que adjetivo usar para algo não criativo e consumidor de mais recursos do q deveria?

Suado na trilha. Pintado de urucum.

Confesso que algumas vezes pensei em seguir meus rastros de volta até a bifurcação entre esta trilha e a estrada. Devo confessar minha falta de maneiras com os outros assuntos da vida, tal como o amor, por estar demasiado preocupado no percorrer da trilha. Também confesso ter respirado uma nova lufada de entusiasmo.

Formação.

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qual sua posição?

Em pé.

Frente a uma estante de livros.

Ulysses do Joyce, Versos Satânicos do Salman Rushdie, O Mundo Como Vontade e Como Representação do Schopenhauer e Cracking Animation da Aardman.

POTÊNCIA

Imaginem o sujeito escrevendo essas coisas. É como uma pedra líquida sair do profundo e escuro interior, e emergir na superfície.

ERUPÇÃO

Um aparelho de TV. Comerciais de detergente, filmes (do existencialista-cabeça-conceitual até a bobagera infinita), jornalismo, algum documentário de uma marca consagrada, videoclipes, catástrofes. Você vai colocar em qual canal?

PROFUSÃO

Aparelho conectado à Internet. Enter. Click. Touch. BUMM!

EXPLOSÃO! A polêmica na Internet não começou com seus manuais para construir bombas? Rs

Eu realmente admiro quem tem uma vontade e faz a coisa acontecer. E se o cara quer fazer um submarino caseiro? Aí alguém diz: Não dá! Como não? Se der… vai custar muito, só o dono do Unibanco consegue fazer (cutucada audiovisual, hehe). Então olha isso!

CHUUUPAAAAAA!

FALEI QUE DAVA!

O treco afunda até 10 metros e custou menos de R$ 8.000,00!

E não são só bombas e submarinos… que tal atravessar de uma torre gêmea pra outra em uma corda bamba (antes do Osama ter facilitado colocando tudo no chão)? IMPOSSÍVEL, né? maior vento! fora os guardas…

CHUUUPAAAA de novo! hehehe

Quem não assistiu, sai de casa agora (mas desliga o computador pra não emitir carbono e acabar com Santos, Guarujá e Mongaguá) e aluga o DVD!

Mas… (lá vem bomba, rs)

… pra muitos (inclusive eu) a treta é no subejetivo/emotivo/motivacão e não no objetivo/racional/infra-estrutura. É… podemos comprar um livro de auto-ajuda, e torcer pra funcionar conosco. No meu caso, não me sinto contemplado nessa sessão da livraria pois sou metido a anarquista, cético e ateu.

Tô num convívio íntimo e feroz com meus monstros internos. Tipo o livro/filme “Where the Wild Things Are”

- E como rei de seus mostros, qual o primeiro decreto? -

Qual sua posição?

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segundo plano

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o que tem por dentro?

 

 

o que tem por fora?

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outra cidade

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entre uma cidade e outra, lâmpadas acesas ao longe

passam riscando, o tempo invertido

da frente, pra trás

uma outra cidade

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último dia

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a vida é um sopro

ainda assim, esse esse arzinho é tudo que temos.

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o cachorro do meu amigo chegou aos 19 anos! isso mesmo! Um cocker de 19 anos! Guiness nele! sofreu um AVC e estava só respirando, alguns orgãos já estavam parados, mas a respiração continuava, e fui desenhá-lo um dia antes de morrer.

a vida chegando ao fim, ali na minha frente

cada vida é uma eternidade, que se encerra em si própria, não tem antes, nem depois

uma eternidade finita

como a nossa.

vírgula (sem antes)

ponto (tudo)

vírgula (sem depois)

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Rabiscos na vertical

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qual o segredo da vida?

manter os sonhos maior que os traumas.

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rabiscando na horizontal

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olhar para fora é como se ver num imenso espelho

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o homem

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parou de viajar sobre as próprias patas

deixou de utilizar o ar, entre ele e seu ouvinte, como veículo da fala

não morde outro ser vivo!

aparou as unhas

cercou a floresta

conteve as vontades

esqueceu quem era

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primeiros traços…

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2009 foi uma lástima

em 2010 resolvi fazer tudo que não aconteceu em 2009, e somar com tudo que deve acontecer em 2010. 2 anos em 1.

Uma dessas coisas é uma animação pra valer… bem acabada, e com provável trilha do Baoba Stereo Club.

Cá estão os primeiros passos…

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e se acordássemos sem qualquer posse?

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acordou no chão da floresta. reconheceu algumas das espécies vegetais, sabia o nome científico de duas das bromélias dali (inserir descrição). Apesar de saber isso não sabia algo muito mais trivial: como chegara naquele lugar.

TURBULÊNCIAS

- Preciso sair daqui!

Olhou ao redor para encontrar o trajeto que lhe oferecesse maior luminosidade. O Campo Aberto é Sempre mais Acolhedor.

Cinqüenta passos afrente pode avistar o telhado de uma casa. Certamente era um telhado, mas não lembrava de ter visto um assim jamais em sua vida.

- O que eu fiz ontem?

Sua lembrança mais recente era um aceno distante de sua mãe.

- Quando teria sido isso?

Não conseguiu colocar suas distantes lembranças em ordem cronológica.

Olhou para seu corpo na tentativa de identificar sua idade. Olhou para o acumulo de gordura de sua barriga, para suas mãos e puxou um tufo de sua franja.

- Devo ter uns trinta.

Observou as roupas que vestia. Lhe pareciam roupas ordinárias. Uma camiseta branca e uma calça quase negra. Não eram peças novas mas também não pareciam tão usadas assim.

- Andou em direção ao amontoado de casas e ao longe pode ver a primeira pessoa. Pelo porte físico julgou ser um homem de seus quarenta anos. Trajava roupas não muito diferentes da sua e ao cruzarem os olhares não notou qualquer estranhamento.

Pensou em falar com o homem mas seu constrangimento foi maior que sua vontade. Ao observar com mais atenção a arquitetura dos edifícios teve mais uma surpresa.

- Que raio de números são esses?

Deviam ser números, pois quase todas as casas possuiam pequenas placas com combinações diferentes de 3, 4 ou 5 símbolos. Ou quem sabe era o nome da família que morava em cada uma dessas residências.

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