guerreiro bondoso

equilíbrio entre o instintivo e o planejado

um caminho solitário

o guerreiro bondoso

.

sobre sonhos, objetivos, convívio e livre-arbítrio.

quando penso nos objetivos e propósitos da minha vida, e por extensão a dos outros, alguns recortes da minha experiência nesse planeta fagulham dentro de mim.

primeiro vem um sentimento de descentralização e não hierarquização do universo. muito bem expresso por Sartre quando diz “a assinatura de um recibo de aluguel e a assinatura de um tratado de paz têm pesos equivalentes para a existência”. * já dá pra perceber que idéias existenciais e anárquicas fazem muito sentido pra mim.

segundo vem um pensamento radical de relativismo em relação às escolhas subjetivas. qual juízo posso fazer da escolha do outro? quem pode garantir que o que me faz contente também fará outrem? mas apesar dessa convicção “faça o que tu queres, há de ser tudo da lei” me inquieta a questão: Esse seu sonho é teu mesmo?

parece que toda resposta gera no mínimo duas perguntas. se você apostar o dobro a cada rodada na roleta do cassino, por mais que você perca, no final sempre ganhará o valor da primeira aposta.

ok. seu sonho é ganhar a aposta? ou juntar em metade da sua vida recursos suficientes para viver a outra metade só desfrutando deles? construír seu castelinho? curtir o gozo da conquista de cada desafio? se a cada resposta surgem mais perguntas um bombadeio de perguntas poderá trazer alguma resposta. sonhos são perigosos! não apenas para os governos e famílias didatoriais. são perigosos para o indivíduo que os sonha pois estes não respeitam o medo da morte (ler Freud).

Nossos sonhos são livres? Salvador Dalí era financiado por um casal da Flórida. Colocar a cama no penhasco e bater a foto assume outra perspectiva, não? Esse negócio de escolher pra onde vamos é muito intrincado (ver Donnie Darko, ler sobre a vontade de Shoppenhauer, ler Universo Elegante, tomar vinho argentino, ir no quiromancista, olhar o papel em branco por 5 minutos). Lembro de uma conversa durante uma aula na faculdade. tinha um crustáceo que fazia sua concha com pedacinhos encontrados durante sua vida. um integrante do meu grupo disse: – Acho que nós somos algo parecido com isso. CONCORDO! sofremos transformações mas em cima de algo pré-existente, não vejo nosso eu como algo indivisível e sim um agregado, nossa “concha de retalhos” nem me parece toda interligada, alguns pedaços nossos estão em outros lugares (vide a falta sentida quando algo ou alguém se vai).

essa junção de muitas coisas forma quem somos. sentimentos, lembranças, corpo e sonhos estão emaranhados.  qualidades e defeitos são juízos de valor elaborados por um pensamento derivativo de natureza diferente do agregado.

procurando o que?

uma referência… um texto do Cortázar…

tá num livro de contos surreais.

achei.

“Carta a Uma Senhora em Paris”

“Quando sinto que vou vomitar um coelinho, ponho dois dedos na boca como uma pinça aberta… é um coelinho normal e perfeito, só que muito pequeno… Um mês é tanto, pêlos compridos, saltos, olhos selvagens, diferença absoluta.”

falei apenas de um emaranhado colorido, pela conta são 7 bilhões epalhados pelo mundo. e retirando eremitas e gurus indianos (*verificar esse preconceito) todos querem de alguma maneira interagir.

se enfiarmos um capacete de realidade virtual em duas pessoas, produzirmos um mesmo vermelho e medirmos suas ondas cerebrais frente a tal exposição: a frequência medida não será a mesma! – Isso é um cavalo! Não, isso é uma zebra. Zebras são listradas como tubarões. Tubarões? Sim, como o paletó do caçador daquele filme do Spielberg. Mas não era xadrez? Olha aquele quadrinho! Em cima do móvel? Não… isso é uma foto, aquele na parede. Ahhh… o calendário. É (fazer o que?!), consegue ver Jesus? Tipo uma cruz? Não, o rosto.

(A ameaça é a solidão ou a auto-cobrança aliada ao juízo dos íntimos?)

Você não percebeu? Percebi o que? Que eu te amo.

.

P.S: Nuvem de coelho.

.

stop motion com nanquim

se uma imagem pode valer mais do que mil palavras imaginem 12 imagens por segundo com áudio!

dia D… de Desenhos

existe um projeto para o novo aeroporto de São Paulo ser em Caucáia. É por lá também que fica o bairro do Tijuco Preto e a casa de um grande amigo ceramista e pintor. ele pinta tanto telas quanto paredes (com e sem autorização).

ontem eu, o dono dono da casa e uma amiga editora. editora é a pessoa formada em editoração que usa seus conhecimentos para publicar palavras, todavia em um futuro breve talvez não seja mais necessária a formação acadêmica para exercer esse ofício, quem sabe em um futuro não muito distante a academia do jeito como a conhecemos também não exista mais.

pois bem… lá fiz vários desenhos, alguns junto com a Laura, isso mesmo: desenho de dupla, ela com o pincel eu com a pena.

Em A3:

Dança no meio do salão:

Em A4:

Desenho a dois:

ainda em dupla. chegada das cores:

por último os coloridos no caderno:

.

retrospectiva

esse desenho ficou com o meu irmão. espero que quando eu o visite em Lisboa esteja em uma moldura.

eu não costumo fazer balanços do ano mas veio na minha cabeça, assim sem muita sistemática, como um HD que desfragmenta em segundo plano. um comparativo ao estilo “versus” da revista Quatro Rodas.

2009 começou com um batedor de carteira no Equador. perdi meus documentos. apesar de nada mais grave ter acontecido até então aquilo me deixou abalado. os projetos profissionais não vingaram. e o último cliente não me pagou.

2010 eu voltei da América do Norte com equipamentos para trabalhar. ao chegar soube que um dos meus HDs parou de funcionar, perda da memória. eco de uma das poucas frases otimistas que aceito: não se joga uma vida inteira fora por conta de alguns revézes. coragem e força aí vou eu.

caderneta nômade

.

ver com os próprios olhos, registrar com as próprias mãos.

apesar de ter uma Canon 5D e um Mac Book Pro durante minhas andanças pela costa oeste norte americana também levei Canson e um potinho de Nanquim (na bagagem despachada para os policiais americanos não implicarem).

foram 3 semanas e 7 cidades. Los Angeles, Santa Bárbara, Las Vegas, São Francisco, Seattle, Richland e Vancouver (Canadá).

apesar do meu apreço por longos discursos tecerei nesse post apenas dois breves comentários:

1. esse pedaço do mundo é lotado de galerias de arte. a europa é cheia de museus. o Brasil tem exposições temporárias e meia dúzia de galerias elitistas. o novo mundo, o velho mundo, e a rapa.

2. saber dirigir não é suficiente para alugar um carro e chegar no preterido destino. primeiro uma placa de ventos fortes, minha experiência: olhe para as árvores: não balançam. ok. lufada de vento joga o carro para o lado, adrenalina, mas os pinheiros não se movem!!! lição um: você não conhece esse ambiente. peguei -10 graus na estrada, passibilidade de neve. lição número dois: você não tem correntes nem sabe colocá-las. (Não nevou, ufa!). chuva congela ao atingir o para-brisa. você não sabe como limpar. seu amigo brasileiro que mora a 5 anos nos E.U.A diz para jogar águinha no para-brisa. não congela pois eles adicional etanol!

último dia em Santa Barbara.

.

sobre coragem e culpa

  Eu sinto culpa. Algum tempo atrás pensei muito qual seria a definição de culpa e concluí: auto-flagelo depois de termos feito algo que julgamos errado. Gostei da minha conclusão e falei para algumas pessoas as quais disseram: não acho isso não! Perguntei então o que elas achavam que era e recebi a clássica resposta tosca: Não sei mas acho que não é isso que você falou. Ok ok… fui para o Google e escrevi assim: definição de culpa (enter). Primeiro resultado: um link da Wikipédia. Vamos ver… Lá está, a definição de culpa do Freud é extremamente semelhante a minha.

  Já que não penso coisas tão absurdas prossegui com meus pensamentos. Se a culpa é um auto-flagelo de algo que julgamos errado então é um castigo duplamente auto-crítico. Primeiro nossa subjetividade julga errado e depois ainda pune a si própria. Caramba! É um juíz com peso de consciência se açoitando com a varinha mais cortante.

  Vamos destrinchar a parada. Julgar errado. Quem sou eu para levar a ferro e fogo o certo e errado, e pior, me colocar tantas vezes na posição do errado?! Isso é coisa de gente que se acha sempre certa, superego inflado diria o finado Freud. Tem remédio? Em pílula na farmácia não mas tem umas traquitanas. O jeito é fortalecer o ego, fazer aquilo que deseja, isso demanda coragem, isso demanda não se sentir culpado, peraí: fudeu! deu nó! preciso de coragem pra me livrar da culpa e não tenho coragem pois me sinto culpado?! Claro que deu nó. Você acha que tem sempre a razão (to falando comigo mesmo em terceira pessoa). É semelhante a física quantica. Se soubermos a velocidade não sabemos o espaço, se definirmos tudo perdemos o movimento. Moral da história: esse certo e errado não é absoluto. Ex: Me senti culpado por ter sido roubado mas meu amigo disse com autenticidade que não fui.

  Também não sou ingênuo de achar que devido a ter pensado nisso meus problemas estão resolvidos. A vida é um processo. A vida está em beta. Ou seja: não adianta sair pensando que tudo está no lugar que você quer agora. Somos um agregado de coisas, também somos nosso passado e nosso futuro no presente.

  A segunda parte da culpa é o auto-flagelo. Diretamente relacionado ao: eu mereço! auto-estima. o que posso falar disso: sua auto-estima é problema seu amigo! hehehe E quem quiser que conte outra.

  Sobre o mesmo tema fiz esse desenho. A porta tá ali, tem coragem?

Quero assistir o Sr. Raposo, alguém alinha?

auto-desenho

Baoba Stëreo Club versão monstro

Monstro

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.