vamos falar do Oscar 2010.

o cinema americano é uma INDÚSTRIA. não é como o cinema brasileiro que é financiado por leis de incentivo, lá precisa pagar pra fazer o filme, e se tiver sucesso colher os frutos. o dinheiro investido sai de algum cofre. não é desconto no imposto de renda.

como em qualquer grande estrutura de mercado também existem muitas premiações associadas. a mais conhecida é o Oscar. no dia da festa da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood muita coisa esta em jogo. (o tapete vermelho por exemplo é um desfile de artigos luxuosos. tem muita jóia das casas de penhor ali!)

a principal estatueta é a de melhor filme. quem ganha? o produtor. quem é o produtor? o cara que arranjou o $$ pra fazer o filme (as vezes quem sobe no palco da cerimônia é um representante pois o cara mesmo tá bombeando petróleo no Iraque).

mas ficar falando como as coisas são sem romancear não atrai muitos leitores então a Paoula Abou-Jaoude da Globo em Los Angeles escreveu assim:

“O duelo já tem data marcada: 7 de março, em Los Angeles, no palco do Kodak Theatre, na Hollywood Boulevard. Ali, na festa de entrega do Oscar, vai se resolver uma disputa fundamental na atual indústria do cinema: que caminho o prêmio deve tomar nos próximos anos? Deve voltar a apoiar os filmes de grande bilheteria, que têm sido a base de Hollywood todos estes anos, ou continuar a linha recente de prêmios entregues a filmes independentes (como o vencedor do ano passado “Quem quer ser um milionário?”)?”

Parece locução da luta do Rocky Balboa. “De um lado temos o Sr. Milionário, ele que saiu da Índia com 15 milhões e arrecadou 150… do outro lado temos o filho de Titanic, com seus 450 milhões…”

Oscar de melhor filme é como um super analista finaceiro dizendo: devemos investir nisso aqui! Quem quer ser um milionário foi a aposta do ano passado. o analista disse: esse estilo Bollywood dançante e jocoso com custo menor do que esses super heróis que explodem tudo é uma boa pedida pra SUA carteira de investimentos senhor dono do cofre.

E esse ano quem vai levar o troféu?

“Avatar”, de James Cameron
“Um sonho possível”, de John Lee Hancock
“Distrito 9”, de Neill Blomkamp
“Educação”, de Lone Scherfig
“Guerra ao terror”, de Kathryn Bigleow
“Bastardos inglórios”, de Quentin Tarantino
“Preciosa”, de Lee Daniels
“Um homem sério”, de Ethan e Joel Coen
“Up – Altas aventuras”, de Pete Docter e Bob Peterson
“Amor sem escalas”, de Jason Reitman 

Eu aposto no AVATAR. (Mas Daniel… você achou uma lástima porcaria esse filme! disseram em coro meu Id, Ego e Superego). calma outros eus! se eu fosse o premiador dava para o Distrito 9.

Mas pense como analista industrial. Um filme que fala do virtual vs real usando para isso computação gráfica de altíssimo nível técnico, capaz de mesclar o 3D e ação ao vivo com perfeição industrial, e acima disso: gerador de lucros magníficos!

 

E o Tarantino não tem chance? R: não apresentou nenhuma tendência (mesmo colocando final feliz!)

Irmãos Cohen? R: Próximo…

Amor sem escalas?

R: homem canalha, com sorrisinho canalha, mas tudo isso muda quando ele descobre… blá, blá, blá ele refilmou um filme dele mesmo?… o Homem do Ano?… quem mais?

Educação?

Gente… eu tô falando de melhor filme… não de melhor filme estrangeiro.

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a vida é assim. Rá!

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ilustrações para literatura

desenhos pós leitura de um trecho do “Mistério da Árvore” – Raul Brandão

(um rei que vivia enclausurado num castelo inóspito e que “odiava a vida”, uma árvore que servira de forca…)

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sobre sonhos, objetivos, convívio e livre-arbítrio.

quando penso nos objetivos e propósitos da minha vida, e por extensão a dos outros, alguns recortes da minha experiência nesse planeta fagulham dentro de mim.

primeiro vem um sentimento de descentralização e não hierarquização do universo. muito bem expresso por Sartre quando diz “a assinatura de um recibo de aluguel e a assinatura de um tratado de paz têm pesos equivalentes para a existência”. * já dá pra perceber que idéias existenciais e anárquicas fazem muito sentido pra mim.

segundo vem um pensamento radical de relativismo em relação às escolhas subjetivas. qual juízo posso fazer da escolha do outro? quem pode garantir que o que me faz contente também fará outrem? mas apesar dessa convicção “faça o que tu queres, há de ser tudo da lei” me inquieta a questão: Esse seu sonho é teu mesmo?

parece que toda resposta gera no mínimo duas perguntas. se você apostar o dobro a cada rodada na roleta do cassino, por mais que você perca, no final sempre ganhará o valor da primeira aposta.

ok. seu sonho é ganhar a aposta? ou juntar em metade da sua vida recursos suficientes para viver a outra metade só desfrutando deles? construír seu castelinho? curtir o gozo da conquista de cada desafio? se a cada resposta surgem mais perguntas um bombadeio de perguntas poderá trazer alguma resposta. sonhos são perigosos! não apenas para os governos e famílias didatoriais. são perigosos para o indivíduo que os sonha pois estes não respeitam o medo da morte (ler Freud).

Nossos sonhos são livres? Salvador Dalí era financiado por um casal da Flórida. Colocar a cama no penhasco e bater a foto assume outra perspectiva, não? Esse negócio de escolher pra onde vamos é muito intrincado (ver Donnie Darko, ler sobre a vontade de Shoppenhauer, ler Universo Elegante, tomar vinho argentino, ir no quiromancista, olhar o papel em branco por 5 minutos). Lembro de uma conversa durante uma aula na faculdade. tinha um crustáceo que fazia sua concha com pedacinhos encontrados durante sua vida. um integrante do meu grupo disse: – Acho que nós somos algo parecido com isso. CONCORDO! sofremos transformações mas em cima de algo pré-existente, não vejo nosso eu como algo indivisível e sim um agregado, nossa “concha de retalhos” nem me parece toda interligada, alguns pedaços nossos estão em outros lugares (vide a falta sentida quando algo ou alguém se vai).

essa junção de muitas coisas forma quem somos. sentimentos, lembranças, corpo e sonhos estão emaranhados.  qualidades e defeitos são juízos de valor elaborados por um pensamento derivativo de natureza diferente do agregado.

procurando o que?

uma referência… um texto do Cortázar…

tá num livro de contos surreais.

achei.

“Carta a Uma Senhora em Paris”

“Quando sinto que vou vomitar um coelinho, ponho dois dedos na boca como uma pinça aberta… é um coelinho normal e perfeito, só que muito pequeno… Um mês é tanto, pêlos compridos, saltos, olhos selvagens, diferença absoluta.”

falei apenas de um emaranhado colorido, pela conta são 7 bilhões epalhados pelo mundo. e retirando eremitas e gurus indianos (*verificar esse preconceito) todos querem de alguma maneira interagir.

se enfiarmos um capacete de realidade virtual em duas pessoas, produzirmos um mesmo vermelho e medirmos suas ondas cerebrais frente a tal exposição: a frequência medida não será a mesma! – Isso é um cavalo! Não, isso é uma zebra. Zebras são listradas como tubarões. Tubarões? Sim, como o paletó do caçador daquele filme do Spielberg. Mas não era xadrez? Olha aquele quadrinho! Em cima do móvel? Não… isso é uma foto, aquele na parede. Ahhh… o calendário. É (fazer o que?!), consegue ver Jesus? Tipo uma cruz? Não, o rosto.

(A ameaça é a solidão ou a auto-cobrança aliada ao juízo dos íntimos?)

Você não percebeu? Percebi o que? Que eu te amo.

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P.S: Nuvem de coelho.

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stop motion com nanquim

se uma imagem pode valer mais do que mil palavras imaginem 12 imagens por segundo com áudio!

dia D… de Desenhos

existe um projeto para o novo aeroporto de São Paulo ser em Caucáia. É por lá também que fica o bairro do Tijuco Preto e a casa de um grande amigo ceramista e pintor. ele pinta tanto telas quanto paredes (com e sem autorização).

ontem eu, o dono dono da casa e uma amiga editora. editora é a pessoa formada em editoração que usa seus conhecimentos para publicar palavras, todavia em um futuro breve talvez não seja mais necessária a formação acadêmica para exercer esse ofício, quem sabe em um futuro não muito distante a academia do jeito como a conhecemos também não exista mais.

pois bem… lá fiz vários desenhos, alguns junto com a Laura, isso mesmo: desenho de dupla, ela com o pincel eu com a pena.

Em A3:

Dança no meio do salão:

Em A4:

Desenho a dois:

ainda em dupla. chegada das cores:

por último os coloridos no caderno:

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a memória e o tempo

quando foi mesmo isso?

no começo meu cabelo era cacheado, depois ficou liso e tornou a ficar cheio de voltas.

em que momento resolvi escrever isso?

foi antes ou depois do copo com vodka? olho minhas fotos e julgo ser capaz de dizer aquilo em que pensava. Eu detesto ser picado por mosquitos. escrevo isso com um tubo de repelente em cima da mesa.

mas onde foi que essa necessidade começou?

a memória não é o tempo. a memória é uma linha dentro de nós, o tempo é a quarta dimensão impregnada em tudo que existe. vocês já assitiram “Onde vivem os Monstros”? trata daquelas coisas ancestrais/selvagens/instintivas encontradas dentro de nós. e por vezes aquilo de dentro parece tão externo. difícil separar.

todo mundo dança estranho escutando músicas sozinho? não sei. demorei pra entender que as pessoas não pensam como eu.

se não pensam como eu estou isolado? alguém aí me escuta? não basta. alguém me compreende? ALO! CÂMBIO! 0010110101! -..—.! Como falo com o musgo e os trovões? Estarão a me chamar?

Já sei. Tive uma idéia. Vou contar uma hitória…

cine abc

Em 2009 decidi assitir filmes em ordem alfabética. Divulguei a idéia para alguns amigos e batizamos a empreitada de Cine ABC. Os critérios de escolha do filme foram o ineditismo e a preferência da maioria (apesar da CPI anti-democracia contra a minha pessoa). 

 

Por conta da atmosfera “final de ano é complicado” o Cine ABC não chegou ao Z antes da bola nova iorquina descer em meio aos tursitas bêbados. Confesso ter ficado desapontado mas quando voltei para a Terra dos Papagaios no meio de janeiro um preto velho com uma cruz no peito e Kardec debaixo do braço me disse: “Esse país é bom demais. Temos outro ritmo, o ano novo sequer começou. Aqui só começa mesmo depois do carnaval. Viva Macunaíma!” 

Então tava tudo nos conformes. O Cine ABC podia terminar antes do ano começar no Brasil-sil-sil. E o último final de semana antes do Carnaval será consagrado com a letra Z de Z (filme)! 

 

Pra quem ficou curioso a respeito de quais filmes foram vistos ou perdeu algum aqui tá a lista:

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Arizona Dream – Kusturika

Bananas – Woody Allen

Caminho para Guantanamo – Michael Winterbottom

Dias de Nietzche em Turim – Júlio Bressane

Expresso da meia -Alan Parker

Feios, Sujos e Malvados – Ettore Scola

Gomorra – Matteo Garrone

Hotel de um milhão de dólares – Win Wenders

Interiores – Woody Allen

Joelho de Claire, (O) – Eric Rohmer

King – James Marsh

Lutador, (O) – Darren Aronofsky

Menino do Pijama Listrado, (O) – Mark Herman

Neve Sobre os Cedros – Scott Hicks

Oito e meio – Federico Fellini

Pingue-Pongue da Mongólia – Ning Hão

Questão de Imagem, (Uma) – Agnès Jaoui

Rosetta – Irmãos Dardenne

Stalker – Tarkovsky

Touro Indomável – Martin Scorsese

Última gargalhada, (A) – F.W. Murnau

Vicky Cristina Barcelona – Woody Allen

Week-end à Francesa – Jean-Luc Godard

XXY – Lucía Puenzo

Yentl – Barbara Streisand

Z – Costa Gravas

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Em 2010.abc.br as sessões voltarão cheias de surpresas, aventuras e muita confusão.

Compareçam!

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